terça-feira, 19 de junho de 2007

E não é que Rui Barbosa tinha razão?

De tanto ver triunfar a nulidade; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto"
(Rui Barbosa)

5 comentários:

museólogo pensante disse...

Brilhante, muito obrigado por me ter possibilitado a leitura de um pensamento demasiado recorrente no meu dia-a-dia.
Bem haja,
mp

Teka disse...

A frase é fantástica e com, infelizmente, muito sentido nos dias que correm. Um pensamento de 1914 que ainda é assustadoramente actual.
Não é propriamente a vergonha de de ser honesta que me preocupa, mas a dificuldade em passar valores não distorcidos aos jovens com quem trabalho. Incutir o gosto pelo trabalho, pela honra, pelo bem em detrimento do mal, pelo respeito ao outro. Fazer acreditar que ser honesto, ter formação, trabalhar, compensa.
Não é fácil e às vezes parece mesmo uma missão impossível.
Como quebrar o ciclo de pobreza cultural? Como prepará-los para o SER em detrimeto do TER?
Enfim desafios do dia a dia que às vezes me fazem baixar os braços (felizmente apenas momentaneamente).

mlanat disse...

Teresa que comentário mais que acertado, você é dez.

mlanat disse...

MP,verdade que isto ocorre mas melhor ainda é termos consciência disto e quem sabe termos armas para lutar contra.
Abração.

museólogo pensante disse...

Mlanat, muito boa tarde.
Como o tempo não sobra, e a imaginação não estica, não são tantas as vezes que venho blogar um pouco, como porventura gostaria.
Estou num pequeníssimo intervalo do meu trabalho, que me permito gerir dado o tipo de ocupação a que me refiro, nomedamente, muito exigente em termos de oftalmologia.
Entrei neste blog, de onde há algum tempo "roubei", citando, um pensamento escrito de Rui Barbosa que pura e simplesmente adorei.
E porque reparei, obviamente,que comentou brevemente o meu próprio comentário, apraz-me acrescentar o seguinte para fundamentar a ideia que passa.
As minhas breves palavras pressupõem,implícitamente, a consciencialização, ou melhor o pragmático reconhecimento da realidade explicitada no referido pensamento e,óbvio, não escondo, que desde há muito que tento isoladamente (não suporto qualquer tipo de lobys!!!) não "facilitar", modestamente, a instituição destas práticas.
Sei ,no entanto, sensatamente pensando, que ele se apresenta como uma torrente difìcil de parar , o que em alguma circunstância isso significa desistir de "desmascarar" estes convencionados funcionamentos, que adulteraram quase por completo comportamentos, perspectivas, objectivos, em suma, condutas.
Haja carácter, determinação, alguma intransigência e capacidade de oservância e atenção, e talvez possamos virar o leme a estibordo.

Um abraço também,
mp